sábado, 2 de abril de 2011

Comunicação Científica: O desenvolvimento da Filosofia da Religião e da Epistemologia Religiosa no século XX por Bruno Henrique Uchôa – UFSC

IIIº Congresso Nacional da ANPTECRE

Resumos Aceitos pelo GT 12: Teorias da Religião
(Coordenador: Luís Henrique Dreher - PPCIR-UFJF, luis.dreher@ufjf.edu.br)

O desenvolvimento da Filosofia da Religião e da Epistemologia Religiosa no século XX
Bruno Henrique Uchôa – UFSC, brunogwood@hotmail.com

A filosofia da religião moderna rompeu com os parâmetros da analiticidade que dirigia a filosofia religiosa medieval. Com o advento histórico da filosofia analítica, em distinção a filosofia continental entre o fim do século XIX e início do século XX, algumas ferramentas da analiticidade já presente nas discussões escolásticas foram tomadas de empréstimo pela filosofia da religião, criando uma disciplina mais técnica denominada filosofia analítica da religião. Os primórdios desta discussão podem ser encontrados ainda vinculados aos princípios do positivismo lógico e os critérios de significação de enunciados. Quando aplicado ao discurso religioso a principal preocupação era: são as asserções religiosas constituintes de significado? Em uníssono, os proponentes do positivismo lógico bradaram que por não preencher os critérios empíricos de enunciados significativos, o discurso sobre Deus não tem qualquer significação, pois afirmações nestes moldes não podem ser verificadas ou falseadas empiricamente. Deste modo, o discurso religioso era considerado academicamente como sendo irracional. Uma reação forte a crítica positivista veio através de um movimento que ficaria conhecido como Epistemologia Reformada. Um dos seus principais proponentes, Alvin Plantinga, desafiou os críticos positivistas em seus próprios termos, produzindo uma defesa analítica para garantir a racionalidade do discurso religioso. Plantinga apontou que o que se esconde por trás de uma pretensa racionalidade é a noção de evidência, mas como ele indica, o evidencialismo não é necessário para a racionalidade. Nós temos crenças que sustentamos com grande padrão de racionalidade. Por outro lado, não temos nenhuma evidência para ela: como acreditar que existe um mundo externo a nós mesmos sem termos evidência de que não somos cérebros manipulados em um tanque? como acreditar que existe um passado e que eu tomei café há duas horas, mesmo sem evidência de que não fui formado com todas minhas crenças e lembranças implantadas duas horas atrás? Afinal, por que somos racionais em sustentar tais crenças sem termos evidência para elas? A resposta é que acreditamos que tais crenças sejam tão básicas ou fundamentais que elas não precisam basear-se em outras crenças, ou seja, elas não precisam de evidência. Mas por que, pergunta Plantinga, a crença em Deus, não pode ela mesma ser básica? A partir daí, analisaremos os princípios defendidos por Plantinga para a basicalidade da crença em Deus e defenderemos a racionalidade do discurso religioso.