domingo, 21 de agosto de 2011

Sobre o pensamento de Alvin Plantinga - "o naturalismo é conceitualmente autodestrutivo"

Sobre o pensamento de Alvin Plantinga

A texto a seguir está na página Ideias de Plantinga, como apresentação do autor para o Simpósio Plantinga, que faz parte do IV Congresso de Filosofia da Religião, a ser realizado neste fim de mês na UnB e na PUC-RS.

Infelizmente não participarei do congresso. Este é o preço que pago por direcionar meu desenvolvimento profissional na gestão industrial. Entretanto, mantenho grande interesse em filosofia, especialmente em metafísica e epistemologia.

Este evento é imperdível para quem tem este interesse (e tem a disponibilidade que não tenho). Espero que o congresso renda textos e mais textos alhures, de forma que o pensamento de Plantinga tanto seja divulgado quanto aproveitado para a glória de Deus!

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Breve Descrição da Trajetória do Pensamento de Alvin Plantinga

Alvin Plantinga é John A. O'Brien Professor of Philosophy da Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos, e é um dos principais filósofos analíticos atuais.

Em mais de uma dezena de livros e de uma centena de artigos, Plantinga defendeu teses em filosofia da religião, metafísica e epistemologia que são largamente debatidas na comunidade filosófica mundial. Em filosofia da religião, seu interesse se concentra principalmente no tema clássico da relação entre fé e razão, passando seu pensamento por várias fases.

Nos anos 1960 e 1970, seu trabalho voltava-se para a avaliação do alcance das tradicionais provas da existência de Deus em fundamentar a racionalidade da crença em Deus. Nesse período, Plantinga publicou a antologia The Ontological Argument (1965) e God and Other Minds (1967).

Na conclusão deste, Plantinga já apontava para o caráter meramente parcial da teologia natural no tratamento da crença em Deus, apontando para a ideia de que a crença em Deus pode ser básica, no sentido de não se basear em nenhuma outra crença para se justificar racionalmente. Ao mesmo tempo, Plantinga desenvolve ideias relacionadas ao clássico problema do mal em God, Freedom and Evil (1974), buscando responder esse que é o principal argumento contra o conceito monoteísta de Deus.

Nos anos 1980, Plantinga aprofunda a noção de crença em Deus como básica, desenvolvendo melhor a ideia de que ela é propriamente básica, ou seja, de que ela é básica num sentido adequado. No entanto, tal tese supõe um questionamento da noção de crença básica proposta pela filosofia moderna, especialmente Descartes e Locke e que, segundo Plantinga, prevaleceu como pano de fundo da crítica moderna acerca da racionalidade da crença em Deus a partir do século XVIII.

Por outro lado, exige também o desenvolvimento da noção de proper function, como aquilo que torna adequada a manifestação de uma qualidade num estado de coisas ou evento. Nos anos 1990, Plantinga publica os dois primeiros volumes sobre a noção de aval (warrant): Warrant: the Current Debate (1993) e Warrant and Proper Function (1993), que são seus principais trabalhos em teoria do conhecimento.

No primeiro livro, Plantinga critica as principais teorias acerca de racionalidade, justificação ou como quer que se chame a virtude epistêmica positiva que torna uma crença verdadeira um conhecimento. Em vista da possibilidade de que uma crença seja verdadeira e justificada apenas por acaso (o principal resultado das críticas de Edmund Gettier, em seu famoso artigo de 1963, à concepção de conhecimento como crença verdadeira justificada), Plantinga sugere o conceito de aval como uma alternativa não claramente sujeita a esse problema.

Tem-se aqui uma proposta externalista de justificação epistêmica, que encontra nas condições em que se dão a crença o modo pelo qual esta pode ser positivamente avaliada quanto a suas credenciais epistêmicas.

A metafísica de Plantinga, para além de suas teses acerca da existência de Deus, apresenta-se no contexto de suas ideias sobre filosofia da lógica, embora possam ser aplicadas à sua análise do argumento originalmente proposto por Anselmo de Cantuária. Assim, em The Nature of Necessity (1974), Plantinga vai muito além da filosofia da religião e discute vários aspectos do conceito de necessidade, levando em consideração o debate e os recursos da lógica modal contemporânea, inclusive a noção semântica de mundos possíveis.

É Warranted Christian Belief (2000), no entanto, a principal obra de Plantinga até o momento. Nela, concentram-se não apenas os principais resultados de sua teoria do conhecimento, como também as aplicações desta à sua filosofia da religião, aplicando a ela a noção de aval, desenvolvida nos dois volumes anteriores da trilogia sobre o conceito de warrant.

Nesta obra, Plantinga desenvolve também seu argumento contra o naturalismo, sustentando que o darwinismo, enquanto explicação da evolução das espécies biológicas, fica mais bem estabelecido numa metafísica teísta, na medida em que o naturalismo é conceitualmente autodestrutivo. Além do ataque ao naturalismo e a defesa das credenciais epistêmicas positivas da crença em Deus com a noção de warrant, Plantinga estende o modelo teórico pelo qual defende a possibilidade de aval da crença teísta à crença cristã, incluindo elementos mais característicos do cristianismo na avaliação epistemológica. Por fim, nessa mesma obra, ele retoma o problema do mal e analisa questões como o pluralismo religioso e as objeções pós-modernas à crença cristã, acrescentando novas contribuições suas ao debate de temas centrais na filosofia contemporânea.
 
Fonte: Sociedade Calvinista
 
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Escritos políticos de Dooyeweerd em revisão

Escritos políticos de Dooyeweerd em revisão
por Lucas G. Freire

A edição, inédita em português, de dois ensaios de Herman Dooyeweerd sobre teoria do Estado está em processo de preparação e revisão. Dooyeweerd, antes de filósofo, contribuiu (e muito) para o desenvolvimento da Ciência do Direito, a ponto de o famoso Hans Kelsen ter mudado de opinião no final de sua vida por conta da contribuição de Dooyeweerd.

O livro, além de indicar o contorno de uma teoria política séria e profunda fundamentada no motivo-base cristão, também contribuirá para o maior conhecimento da abordagem neocalvinista no contexto lusófono. Por conta de erros grotescos de tradução, o chamado “novo calvinismo” (new calvinism), que de calvinismo pouco ou nada tem, foi associado ao nome de Kuyper, Bavinck, Schilder, Dooyeweerd, Groen van Prinsterer e outros. Assim, o vetusto neocalvinismo, força motriz do grandioso desenvolvimento político e cultural holandês a partir da segunda metade do século XIX, tem sido injustamente criticado por conta de uma associação mnemônica superficial com o dito “novo calvinismo”.

Também contribui para a confusão geral o fato de teólogos ligados à tradição introspectiva (e, em alguns casos, hipercalvinista e hiperpactualista) holandesa terem, desde a era Kuyper, criticado a defesa neocalvinsta do cristianismo como uma cosmovisão que tudo abrange. Ocorre que tais textos foram traduzidos sem que antes se ouvisse a voz kuyperiana. Pior: traduzidos sem maiores explicações sobre o fato de serem derivados de uma agenda politico-eclesiástica específica, ligada aos debates eclesiológicos holandeses. Por conta de tradução e divulgação descontextualizada dessas críticas, o povo lusófono carece de uma clareza sobre o que significa entender o cristianismo como cosmovisão.
O melhor a fazer é ler os textos (tando de um lado como de outro) nos seus respectivos contextos. Enquanto isso, simplesmente afirmo que, se cremos que o cristianismo tem algo a dizer sobre a política, devemos ler com avidez o que outros cristãos reformados, confessionais e intelectualmente privilegiados disseram no passado, em vez de tentar reinventar a roda através, ironicamente, do plágio escolástico que prevalece nos nossos meios.

Fonte: http://neocalvinismo.wordpress.com/2011/03/26/escritos-politicos-de-dooyeweerd-em-revisao/


Divulgação: http://luis-cavalcante.blogspot.com

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